Solte a imaginação

Eram três casas, numa morava minha avó (e mora até hoje) e meus tios, noutra minha bisavó (que já faleceu), e numa terceira morava meu tio avô.
A distância entre as duas primeiras era pequena, uns 10 metros no máximo, já entre a terceira era maior. Entre elas havia um velho pé de abacate e uma goiabeira, que até já falei dela antes, uma garagem, uma casinha onde eram guardados os implementos do trator e um areão. Assim era o sítio do meu avô na minha infância e ainda é até hoje...
Lembro-me muito de que os carros ao passarem pela areia faziam “ondas”, deixavam grandes marcas dos pneus. Aí meus queridos, vinham os primos, as roupas velhas e muita imaginação...
O areão se tornava um oceano, as gramas nascidas nas beiradas eram as algas, e os galhos secos do pé de abacate caídos no chão, num piscar de olhos tornavam-se furiosos tubarões.
Cada um era um náufrago, fugindo dos perigos dos mares, correndo riscos de vida, nadando lado a lado com a morte, em busca de uma ilha perdida, uma terra a vista! Ou quem sabe, um barco de pescadores que nos salvasse...
De repente o tio Carlos chegava das plantações com o trator, parava ele na sombra das Sete Copas, e aquele oceano se tornava uma estrada. Cada um tomava um posto no trator. Quem conseguisse subir primeiro dirigia, o resto ia como passageiro. Pelo caminho havia curvas, ladeiras onde os freios falhavam e o desespero tomava conta dos viajantes. Chegando a nossos destinos, descíamos, comprávamos os itens necessários para nossa sobrevivência e voltávamos a nossa humilde morada.
A morada? Ah... Era uma capota de caminhonete, que com um pouco de imaginação de tornava um palácio, ou uma simples casa no campo dependia do contexto.
Meio-dia, hora do almoço. Tudo era findo.
Duas horas... “Vó me empresta uma colher? Depois eu devolvo pra senhora...”
Coitada, quantas colheres perdidas naquela terra, se ela soubesse que não iam mais voltar...
Mas pensando bem, no fundo ela sabia. Todos sabiam. Mais o que custa a uma avó perder uma colher se em troca ganhará um sorriso sincero de seu neto? Um sorriso sujo de terra, uma roupa cheia de lama, os dedos do pé cortados, ou em ocasiões mais graves, os pés perfurados com pregos enferrujados (não é, Dona Ana Flávia?!), e no fim do dia?
Um banho de mangueira no terreiro que lavava os pequenos aventureiros. Assim, cada qual voltava a sua casa, esperando que chegasse logo o fim de semana pra recomeçarmos tudo outra vez.
A distância entre as duas primeiras era pequena, uns 10 metros no máximo, já entre a terceira era maior. Entre elas havia um velho pé de abacate e uma goiabeira, que até já falei dela antes, uma garagem, uma casinha onde eram guardados os implementos do trator e um areão. Assim era o sítio do meu avô na minha infância e ainda é até hoje...
Lembro-me muito de que os carros ao passarem pela areia faziam “ondas”, deixavam grandes marcas dos pneus. Aí meus queridos, vinham os primos, as roupas velhas e muita imaginação...
O areão se tornava um oceano, as gramas nascidas nas beiradas eram as algas, e os galhos secos do pé de abacate caídos no chão, num piscar de olhos tornavam-se furiosos tubarões.
Cada um era um náufrago, fugindo dos perigos dos mares, correndo riscos de vida, nadando lado a lado com a morte, em busca de uma ilha perdida, uma terra a vista! Ou quem sabe, um barco de pescadores que nos salvasse...
De repente o tio Carlos chegava das plantações com o trator, parava ele na sombra das Sete Copas, e aquele oceano se tornava uma estrada. Cada um tomava um posto no trator. Quem conseguisse subir primeiro dirigia, o resto ia como passageiro. Pelo caminho havia curvas, ladeiras onde os freios falhavam e o desespero tomava conta dos viajantes. Chegando a nossos destinos, descíamos, comprávamos os itens necessários para nossa sobrevivência e voltávamos a nossa humilde morada.
A morada? Ah... Era uma capota de caminhonete, que com um pouco de imaginação de tornava um palácio, ou uma simples casa no campo dependia do contexto.
Meio-dia, hora do almoço. Tudo era findo.
Duas horas... “Vó me empresta uma colher? Depois eu devolvo pra senhora...”
Coitada, quantas colheres perdidas naquela terra, se ela soubesse que não iam mais voltar...
Mas pensando bem, no fundo ela sabia. Todos sabiam. Mais o que custa a uma avó perder uma colher se em troca ganhará um sorriso sincero de seu neto? Um sorriso sujo de terra, uma roupa cheia de lama, os dedos do pé cortados, ou em ocasiões mais graves, os pés perfurados com pregos enferrujados (não é, Dona Ana Flávia?!), e no fim do dia?
Um banho de mangueira no terreiro que lavava os pequenos aventureiros. Assim, cada qual voltava a sua casa, esperando que chegasse logo o fim de semana pra recomeçarmos tudo outra vez.


ahuhauhauahuahuahauah
infancia... doce e salgada... muitas aventuras
muitas surpresas nos esperava...
minha infancia foi boa... mas me lembro pouco dela...
xD
Beijosssss
continue assim
te amo.... saudadesssss
massa eu adorei o post pena eu nao poder estar sempre na net... mas adorei mesmoooo...
bjoo