Pileque.

By Pati Postinghel

O tic-tac daquele relógio na parede fere meus tímpanos, de tão grave que aparenta ser. Não há nada que eu faça pra que possa me lembrar de ontem à noite. Só recordo-me de um som sereno, sussurros ao pé do ouvido e por fim meu corpo estendido numa cama, em meio a lençóis bagunçados. É assim que ainda me encontro.
Diante de minha cama há uma cômoda velha, data vinte e seis anos, ganhei de herança da minha bisavó Laura, cujo nome também herdei. Ao lado está uma arara cheia da roupas, alguns casacos pretos, uma calça jeans tão velha quantos os casacos e uma gravata azul, na qual não tenho idéia de com veio parar ali.
Talvez ela tenha vindo junto com o motivo que me deixou daquele jeito. Nas minhas costas encontra-se um espelho ofuscado pelo tempo, o ganhei de presente de aniversário de nove anos, confesso que na época não gostei muito do mimo, porém, hoje posso perceber o quão me é importante. Mesmo não sendo mais tão nítido, é com ele que posso ver meus traços, meus olhos manchados de uma tinta preta, minha boca vermelha como sangue e minhas maçãs mostrando um tom carmim. Sob minha sobrancelha observo um hematoma do tamanho de um cruzado.
Agora olho para o chão e vejo roupas empilhadas num canto da parede. É como se ali tivesse tido uma luta, pois meus pertences também se encontravam jogados junto a um par de sapatos velhos e encardidos.
Andando pala casa vejo mais destruição, mais bagunça. O sofá que antes ficava na sala, agora já faz parte da mobília da cozinha. Na pia há vários copos sujos, alguns já se encontram ali há tempos, os outros percebo que são recentes. O cheiro de Martini me traz algumas lembranças de outrora, lembranças nada boas. Pelo corredor a claridade chega até mim. O que não é nada bom para meus olhos castanhos.
O relógio agora badala forte. Passa do meio-dia.
Minha vida parece ser menor do que aquela saúva, parece ser menos atraente que aquela flor que nasce junto ao canteiro do jardim.
Sim! É isso. Lembrei-me de tudo. Fora em minha casa a confraternização da empresa. Dancei tanto, bebi tanto, vomitei tanto...
Perto da TV haviam umas folhas dobradas, o papel cheirava a um perfume masculino, o qual reconheci na hora:
“Laurinha, depois de teres chegado do hospital, coloquei-te na cama e cobri-te. Se estiveres com dores no corpo tome o remédio que deixei perto da geladeira. Ontem tu bebeste muito, percebi que era melhor voltar para minha casa. Peço-te ao menos uma coisa: não faças novamente! E lembres: sempre, sempre haverá alguém contigo!
Amo-te profundamente Manoel.
OBS: minha gravata está em teu quarto.”

Sinto-me tão bem, está tudo mais claro. Eu também o amo loucamente. Porque mesmo que tudo mude, eu mude, a vida mude, eu sei que sempre, sempre haverá alguém comigo.
 

11 comments so far.

  1. Anônimo 13:38
    Noossa Patii adoorei esse seu texto,olha logo logo bem que podia montar um livro em? rss Imagiina? sucesso absolutoo! kkkkkkk..
    Paraééns Pati você escreve super bem eu viajo em suas criações!
    Adoro você Flor,
    Beeijo
    :)

    Tathy Tolentino
  2. daaaann 21:22
    belo texto, quase se confunde comigo... só que no final nao tem alguem que me ame... ah que triste.
    aeuheauaehuahaeu

    mas muito bom mesmo pati.
    vc sabe que vc eh ótima escrevendo neh
    parabens linda...
    continue escrevendo q eu sempre estarei por aqui lendo
    adoro vc..
    BEIJAOOO
  3. Ana 22:11
    Floorr!!! nossa! muito bom!! Você consegue prender a atenção de quem lê de um jeito que nem sei explicar... adorei!!

    beijão, Xuxuuu!
  4. oieeeee..... nossa achei o texto lindo... desculpa a demora de passar aqui... é que eu andei um pouco distante do blog... mas acho que vou recuperar o folego e voltar a escrever...
    Beijaooo te amo... saudadeeeees

    ps.: quero muito ver a foto do Dom Quixote!
  5. Pablo 14:21
    Nossa conheço uma escritora e naum sabia^^ rsrsrs pati belo texto..

    Vc tem talento

    bejão
  6. Luiz 18:05
    Eu nunca lembro de comentar... Mas aproveitando agora que lembrei, vou citar minha primeira reação ao ler este texto:"Voti véio... Cê tá muito entendida dos trem de escrevinhar ein truta... VO fikar d eolho nocÊ..."
  7. Regiane 19:25
    Patii.. ja disse q agente ta no msm barco neh ! "da até pra comparar alguns dias meus com esse conto "
    vei fiko otimo parece q é profissional .

    Bjo amo vc
  8. Anônimo 20:33
    Patiii ! Adore esse texto ! Você escreve super bem ! Adorei tudo: a linguagem, a junção das palavras, o final, o começo, o meio... TUDOO !

    Bjão

    Édipo
  9. analia 18:30
    que orgulho!!!!!!!!!!!!!
    amo seus textos
    Ser sua teacher me dá um orgulho danado!!!!!!!!!
    Beijos
  10. Anônimo 19:21
    oi....
    muito bom garotinha....
    beijos
    Tia do provolone empanado(não divulga kkk)
  11. Anônimo 19:21
    oi....
    muito bom garotinha....
    beijos
    Tia do provolone empanado(não divulga kkk)

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