Naqueles ipês amarelos.

By Pati Postinghel

1º Capítulo


Deixei o meu velho carro atolado na pequena estrada de terra, e segui andando só. Caminhei horas até chegar ali. Encontrava-me defronte ao casarão de tio Newton. O misterioso casarão de tio Newton. Nós nunca fomos muito próximos , pra dizer a verdade nós nunca realmente conversamos. Não com aquele lance de olho no olho, sabe? Sempre disse a minha mãe que não gostava dele, haviam mil e um motivos pra isso. Pra começar, tio New, como dizia minha mãe, era aquele tipo de velho ranzinza que só serve pra falar mal dos outros, e tinha um acerta repugnância a crianças. O resto da família sempre o tratou como um rei. Claro, tenho que concordar que sua conta bancária contribuía, e muito, para tais circunstâncias. Por mais que eu não trocasse palavras com ele, conseguia entender sua decisão de deixar sua herança pra mim. Talvez, eu fosse a única que não me iludia com aquele império, talvez, a única que não agradava aquela “pobre” alma infeliz, esperando receber algo em troca.
Não houve uma pessoa da família, que de agora em diante, passasse a me olhar torto, como se eu fosse uma leprosa espalhando minha doença no ar. Meu telefone já não tocava há duas semanas, nem minha mãe ousava falar comigo. Sempre fui sozinha, já não tinha amigos, já não tinha amores, agora não tenho mais família.
O casarão estava bem melhor que a descrição do testamento. Era uma casa branca de dois andares, o térreo tinha duas imensas salas de visita, um salão para festas, duas cozinhas e cinco quartos para empregados. O andar de cima possuía nove amplas suítes e uma sacada que dava para um jardim extremamente verde. A relva estava um tanto molhada por conta da chuva dessa manhã. Havia um chafariz bem no centro do gramado, de onde surgiam umas águas dançantes que desciam numa cachoeira até tornassem calmas formando uma lagoa azul. Era incrível como as plantas, ali cresciam sem pudor, à direita da casa havia uma fileira de ipês amarelos, formando uma pequena estrada que trilhava a uma humilde choupana. Era lá que eu poderia encontrar a Zezé, a cabocla que, durante anos, serviu meu tio , sem ganhar um tostão sequer. Todo esse tempo cuidando de um velho chué que mal lhe trocava palavras.
A cabana era feita de madeira, transparecia ser de uma simplicidade incomum. Já estava sendo ruída por cupins, e não agüentaria mais tanto tempo de pé. Alguns paralelepípedos alinhavam um pequeno corredor até os fundos da morada. A primeira impressão que pude ter com a choupana, foi trocada por pontos de interrogação. Lá dentro, o conforto predominava, e o luxo era absurdo. Havia um sofá escarlate de couro, seguido por duas cadeiras estofadas de veludo com a mesma cor. No chão, um tapete branco fazia contraste com o piso escuro. Não havia paredes fazendo repartição dos cômodos, o que dava a impressão, de um dia ter sido simples, e tempos depois alguém a teria decorado assim. Claro, eram todas primeiras impressões.
---- Pois sinta-se à vontade.
A voz veio por sobre meus ombros. Num movimento rápido, me virei e dei de olhos com Zezé. Minha pele branca, agora já se fazia rubra. Não percebi, mas minha curiosidade me levará para dentro de uma casa que tinha dono, e esse dono ao era eu.
---- Desculpe, não era minha intenção ir entrando assim e... e... quando vi já estava aqui. Entenderei se a senhora me pedir pra sair ou algo assim.
---- Realmente, não a quero em minha casa!
Um riso alto soou de sua boca, fez um gesto rápido com os braços me puxando para perto de si, senti de imediato que seus lábios grossos tocaram minha face. Ela tinha as mãos grossas, e uma pele acobreada que parecia esquentar seu abraço.
---- Olha menina, essa casa é tanto sua quanto minha, aliás, mais sua que minha! Durante anos dediquei-me ao Dr. Newton, que em momentos antes de partir, pediu-me que tivesse com a senhorita o mesmo cuidado que com ele. Disse para ter a mesma estima e zelo.
Senti um alivio inacreditável. Suas palavras a pouco me deixaram com receio. Agora já a apertava com a mesma força, fazia minha pele macia roçar em seus cabelos negros. Definitivamente, havia algo ali me dizendo que não ia ser como eu pensava.



Aguarde o próximo capituloo!!!
 

5 comments so far.

  1. Tathy TolentinO 20:07
    Pati,
    acabei de ler o primeiro capítulo e adorei nossa estou curiosa pra ler o próximo,
    muito interesante o começo dessa sua história,
    que talento em Pati escreve muito bem mesmo tá de parabéns!
    Beijo flor amei mesmo (:
  2. analia 09:25
    Meu Deus!!!!!!!!!!!!!!
    Quanto talento!
    Estou surpresa, com todas essas descrições precisas trazendo muitas idéias na cabeça da gente.
    Como chama-se a empregada??????????KKKKKKKKKK
  3. Julius C. 01:53
    Este comentário foi removido pelo autor.
  4. Julius C. 01:56
    Nossa Pati eu tava pesando em começar um livro e por no meu blog, ai quando vejo vc fez isso!!

    Mais ow, ta muito bom!! muito bom mesmo!!

    tem futuro no ramo!!!

    Ah, e a protagonista ja tem nome?!?

    beijão té mais!!!
  5. VejaBlog
    Seleção dos melhores Blogs/Sites do Brasil!
    http://www.vejablog.com.br

    Parabéns pelo seu Blog!!!

    Você está fazendo parte da maior e melhor
    seleção de Blogs/Sites do País!!!
    - Só Sites e Blogs Premiados -
    Selecionado pela nossa equipe, você está agora entre
    os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!

    O seu link encontra-se no item: Blog

    http://www.vejablog.com.br/blog

    - Os links encontram-se rigorosamente
    em ordem alfabética -

    Pegue nosso selo em:
    http://www.vejablog.com.br/selo


    Um forte abraço,
    Dário Dutra

    http://www.vejablog.com.br
    ....................................................................

Something to say?

Obrigado por ter lido até aqui, nem todos chegam a última linha de um blog. O Vaisifu fica feliz por sua visita!